terça-feira, 29 de setembro de 2009

Claudio Edinger: “Da idéia às prateleiras: a concretização de um livro”

© Foto de Claudio Edinger. Imagem que compõe o livro “Rio”, 2003.

Por Teresa Bastos. Especial para o Images&Visions

O 5º Paraty em Foco encerrou-se no último domingo, dia 27 de setembro. No evento o fotógrafo Claudio Edinger ministrou um interessante workshop intitulado “Da idéia às prateleiras: a concretização de um livro” onde abordou a concepção de um projeto, desde a escolha de um tema à sua execução editorial. Em sua oficina falou a respeito da importância do trabalho de edição, direção de arte, divulgação e todas as etapas pelas quais passa um livro até sua publicação. Cláudio tem 13 livros publicados e durante o Paraty em Foco pôde mostrar seu trabalho, transmitir um pouco de sua experiência e também conhecer o trabalho dos participantes. A seguir algumas declarações de Claudio Edinger proferidas durante o workshop:
“É importante, ao se pensar um projeto, que o fotógrafo tenha compromisso com sua agenda, que saiba organizar sua vida e seu tempo”.
“Um livro é para o resto da vida”.
“No começo a gente não tem objetividade. É preciso fazer, editar, mostrar para confrontar olhares. Muitas vezes o que funciona de uma maneira afetiva para você, pode não funcionar como imagem”.
“Parafraseando Bonni Benrubi, (Ele se refere à proprietária da Galeria homônima em Nova York) agora é o momento em que vão se separar os homens dos meninos. Não dá para ser meio fotógrafo, tem que ser por inteiro”.
“Os trabalhos que estão sendo feitos hoje tem todo um cunho pessoal” (Ele cita Alessandra Sanguinetti).
“Meu trabalho é todo pessoal e tem a ver com a minha busca pela identidade. Sou judeu, mas sou hindu. Meu pai é alemão e minha mãe, russa. Nasci no Rio, vivi em Nova York e São Paulo.”
Qual é o meu lugar? São muitos...”
“Só tive dificuldade em minha carreira e essa é a minha bênção”.
“Orgulho e amor próprio em fotografia não dão certo. Você deve mostrar seu trabalho, ouvir opiniões, mas filtrar as idéias dos outros e tentar mostrar, na imagem, esse paradoxo. Porque as pessoas vão falar as maiores barbaridades com tom sério”...
“Às vezes precisamos ceder para fazerem as coisas acontecerem”.
Cláudio enfatizou alguns pontos importantes de um projeto de livro:
-Estar determinado, querer.
-Bagagem cultural, técnica, o que se sabe, o que se é, o que se busca. Estar informado sobre o assunto.
-Tema. Sem o chão de concreto, ele vai cair. Quanto mais relação tiver com você, melhor.
-Equipamento que você vai trabalhar, que seria a forma que você vai contar a história. Como contar a história é tão importante quanto a própria história.“As histórias pessoais são tão boas que merecem ser expressas. Você abre sua entranha para o mundo.”
A seguir mais alguns trechos da fala de Claudio Edinger em Paraty:
“As dificuldades com o tema são suas maiores aliadas.” Se conseguíssemos tudo, continuaríamos com essa “fome”?
“É preciso buscar trabalhos que te alimentem. Sem a “fome”, a gente não sai do lugar”.
“Fui paparazzi durante dois anos, fiz casamento, fotojornalismo...Foi horrível e foi maravilhoso”. A gente vive assim, sempre nesse paradoxo.”
“É importante estabelecer para você mesmo as suas prioridades. Sou um artista que faço fotojornalismo. Isso é importante. Nunca achei graça em fazer coisas que não durem. A impermanência da fotografia não me agrada.”
Cláudio mostrou imagens de sua carreira e de seus vários livros publicados. Entre eles: do Chelsea Hotel em Nova York (1983). Venice Beach (1985); Old Havana (1997); Madness (1997); Rio (2003); Um de seus mais recentes trabalhos, imagens do sertão da Bahia (2007) para ele é a busca da “alma” do Brasil. Fez todo o trabalho em grande formato, 4X5, em que a qualidade é 10 vezes maior que a da câmera 35 mm. Tem se interessado pelo foco seletivo. Para ele o foco prende, o desfoque libera. “Com a 4X5 você não pode errar. Você trabalha um pouco com a idéia da pintura, de estar ali, diante da paisagem, à espera”. Cláudio começou a trabalhar com grande formato a partir de 2000, com o projeto do Rio de Janeiro. Para Cláudio Edinger, “a experiência vai te dando poder de síntese, o que permite ao fotógrafo mais desenvoltura, pois agilidade tem a ver com familiaridade”. Aos interessados em elaborar uma publicação sugere determinação, persistência e a lembrança de que a fotografia exige tudo de você e é preciso atender ao apelo que ela te solicita.
Acesse o site de Claudio Edinger Aqui

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